terça-feira, 23 de agosto de 2011
Rascunho - A ESTRADA DE PEDRAS PONTIAGUDAS NO VALE VERDE
Há algum tempo, venho caminhando na Estrada de Pedras. No começo, se bem me lembro, logo que comecei a pôr os pés e dar meus próprios passos, estes eram muito dolorosos. Tudo parecia perigoso pra não falar desencorajador e não somente as pedras pontiagudas, os pedaços de tijolos como também outras coisas de identidade desconhecida nessa estrada larga até onde a vista alcança pareciam querer a minha desistência. Não digo que não tive medo. Essa, sem dúvidas, seria a maior das mentiras. Apenas digo que insisti, alguma coisa dentro de mim queria ver o que quer que estivesse do outro lado depois das muitas ladeiras de pedra, tijolos, barro e ocasionalmente vidro. O sol insistente, também me recordo agora, foi um grande desconforto. Pelo mesmo motivo anteriormente citado, resisti a isso. Ao cair da tarde percebo que a minha caminhada tem sido menos árdua, que meus pés não se incomodam mais com as pedras ou os tijolos e que apesar da boca seca, havia valido a pena, pois agora novos seres que nunca haviam aparecido antes ou que nunca me foi possível perceber talvez por causa da dor ou da sede que tanto me perturbavam, surgiam aos montes e mais rapidamente. No entanto, pouco me alegro, pois sei que a noite está chegando e ocasionalmente, pedaços de vidro irão me cortar. Nesse ritmo, eu persisto... contente por agora, preocupado com o que está por vir e movido pelo que eu não conheço.
Por: Caio Melo
EU NÃO TENHO TEMPO, PRA GENTE SEM TEMPO.
“Não tenho tempo... Cinema? Não tenho tempo. Feira de arte? Não tenho tempo. Livraria? Não tenho tempo. Show de música? Não tenho tempo. Desfile? Não tenho tempo. Teatro? Eu até gostaria, mas... Romance? Hm... não, não tenho tempo.” E vai continuar não tendo. É deprimente toda vez que eu ouço pessoas negando - sem ao menos ponderar - a cultura como se esta fosse algum luxo, um ato daqueles que vivem em contemplação que não têm outras ocupações, que não têm trabalho, escola, faculdade e família pra se dedicar. Quando, na verdade, não é bem assim, existem pessoas que tem sede de cultura e a estimam, são poucas é verdade e isso me deixa doente. O que muito me intriga é que esse mesmo tipo de pessoa tem tempo pra dormir até ao meio dia no domingo, vê os mesmos programas de TV de novo e de novo mesmo que já tenham visto, perdem tempo mais que desnecessário na internet e no bar, por ai vai. A lista é farta e variada. Eu também já fui assim. Fica aqui o meu desabafo em relação à forma como as pessoas que nunca usam seu tempo para algo que enriqueça a vida delas próprias continuam a criar desculpas, estas, realmente, nunca terão tempo para sair da ignorância.
Por: Caio Melo
Por: Caio Melo
Assinar:
Postagens (Atom)