terça-feira, 23 de agosto de 2011
Rascunho - A ESTRADA DE PEDRAS PONTIAGUDAS NO VALE VERDE
Há algum tempo, venho caminhando na Estrada de Pedras. No começo, se bem me lembro, logo que comecei a pôr os pés e dar meus próprios passos, estes eram muito dolorosos. Tudo parecia perigoso pra não falar desencorajador e não somente as pedras pontiagudas, os pedaços de tijolos como também outras coisas de identidade desconhecida nessa estrada larga até onde a vista alcança pareciam querer a minha desistência. Não digo que não tive medo. Essa, sem dúvidas, seria a maior das mentiras. Apenas digo que insisti, alguma coisa dentro de mim queria ver o que quer que estivesse do outro lado depois das muitas ladeiras de pedra, tijolos, barro e ocasionalmente vidro. O sol insistente, também me recordo agora, foi um grande desconforto. Pelo mesmo motivo anteriormente citado, resisti a isso. Ao cair da tarde percebo que a minha caminhada tem sido menos árdua, que meus pés não se incomodam mais com as pedras ou os tijolos e que apesar da boca seca, havia valido a pena, pois agora novos seres que nunca haviam aparecido antes ou que nunca me foi possível perceber talvez por causa da dor ou da sede que tanto me perturbavam, surgiam aos montes e mais rapidamente. No entanto, pouco me alegro, pois sei que a noite está chegando e ocasionalmente, pedaços de vidro irão me cortar. Nesse ritmo, eu persisto... contente por agora, preocupado com o que está por vir e movido pelo que eu não conheço.
Por: Caio Melo
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