quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Conto (2) - A pluma bossa nova

A pluma bossa-nova

Levada pelo vento, lá vem a pluma. Era pomba, enganchada em carne, presa ao osso. Num instante de cada vez desprendeu-se disso tudo. Veio o vento, levou tudo. O vento veio ver a pluma despida do que lhe pesa. Resistiu, mas é natural, sabem que estão exercitando cada um o seu papel.

A pena ossuda perde o osso e vira pluma. Levita! Flutua! Vai, vem, volta, está limitada somente ao sabor do vento. O vento leva, sobe pluma em degraus: sopra de uma vez, vira a pena, assopra e sopra guiando a levíssima em ascensão.

Surda, cega e muda a pluma é mais graciosa. Não teme queda ou proximidade com olho luminoso. Vai enfrentando, pois é na ameaça à sua aventura maleável que se fundamenta o contentamento toda vez que sobe um degrau de vento.


Nem lembra que era pomba, não sabe do seu destino. Essa é a graça da pluma.

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