A pluma bossa-nova
Levada pelo vento, lá vem a pluma. Era pomba,
enganchada em carne, presa ao osso. Num instante de cada vez desprendeu-se
disso tudo. Veio o vento, levou tudo. O vento veio ver a pluma despida do que
lhe pesa. Resistiu, mas é natural, sabem que estão exercitando cada um o seu
papel.
A pena ossuda perde o osso e
vira pluma. Levita! Flutua! Vai, vem, volta, está limitada somente ao sabor do
vento. O vento leva, sobe pluma em degraus: sopra de uma vez, vira a pena, assopra
e sopra guiando a levíssima em ascensão.
Surda, cega e muda a pluma é
mais graciosa. Não teme queda ou proximidade com olho luminoso. Vai enfrentando,
pois é na ameaça à sua aventura maleável que se fundamenta o contentamento toda
vez que sobe um degrau de vento.
Nem lembra que era pomba, não
sabe do seu destino. Essa é a graça da pluma.
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